As voltas da política

Vamos celebrar (?) os 50 anos da Abrilada de 1974 (houve a infelizmente falhada de 1961) e tudo aponta para que em 25 de Abril de 2024 tenhamos uma forte bancada da extrema-direita e da direita na Assembleia da República.

Isto, quando o actual Presidente da República é filho de um ministro do último Governo do Estado Novo, por sinal um dos melhores do gabinete de Marcello Caetano, e que fez um trabalho notável em Moçambique, como governador-geral, e depois como titular da pasta do Ultramar.

É pena que Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo em democracia, possa ser o principal responsável pelo regresso ao poder da extrema-direita racista, xenófoba e sem ideias para o país e para os filhos e netos dos que ousaram e conseguiram derrubar um regime que, estando há muito podre, teimava em não cair no chão. Enfim, a História, como sempre, julgará os homens e os seus actos.

Manuel Alves, Lisboa

Aí vem o diabo

Andam por aí muitos jornalistas, comentadores e políticos de direita muito ofendidos por António Costa os ter apelidado de “O diabo”. Tendo em conta a gigantesca campanha contra Costa e o seu Governo que os mesmos têm feito nos últimos tempos, não se percebe agora tanta ingenuidade e sensibilidade.

O mais engraçado ainda, sem ter graça nenhuma, é o facto de não ter sido António Costa quem utilizou primeiro a figura do diabo nas lutas políticas. Quem o fez foi Pedro Passos Coelho, profetizando a desgraça que seriam as contas públicas com o PS a governar. Ainda por cima, enganou-se redondamente! Se há algo que correu lindamente, foi mesmo a evolução das contas públicas – excedentes orçamentais e redução acentuada da dívida pública com valores que há muito não se via. E agora já só faltam dois meses para ver quem o diabo visitará!

Hélder Pancadas, Sobreda

A bênção

Nesta última greve da Infra-Estruturas de Portugal com o consequente prejuízo, somente, dos passageiros dos comboios, uma jovem benzia-se no cais de embarque na procura celestial de conseguir entrar num dos poucos comboios da Fertagus, no caso. O milagre deu-se. Porém, para mim, agnóstico, isto teve que ver com a justa imposição de serviços mínimos pelo tribunal e que desta vez subiu de 25 para 35 por cento o serviço ferroviário, o que reduziu o número de discussões, empurrões e asfixia dos passageiros.

Por último, sugiro aos crentes que rezem para que o tribunal continue a subir a percentagem dos serviços mínimos em defesa do direito dos cidadãos a serem transportados com dignidade.

Aristides Teixeira, Almada

Agarrados ao ecrã

A reportagem que a SIC apresentou no início da semana com o título “Agarrados ao ecrã” deveria ser vista por todos os pais e avós para sentirem verdadeiramente a importância que tem o seu comportamento perante o uso excessivo dos ecrãs pelos seus familiares mais jovens. Algumas das coisas relatadas são verdadeiramente um sinal de alarme e correspondem a muito do que se vê no dia-a-dia, desde os transportes públicos aos cafés e restaurantes. O alarme tocou uma vez mais. É urgente respeitá-lo e agir em conformidade. Haverá coragem para isso?

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

Uma desilusão

Os discursos dos dois líderes candidatos a primeiro-ministro, a meu ver, foram uma enorme desilusão, pois pouco mais foram do que cada um deles criticar o adversário. Ficámos a saber qual a estratégia para poderem vencer as eleições: ou uma aliança pré-eleitoral com a formação da AD ou uma aliança pós-eleitoral com o BE. Por si só demonstra quão frágil será a solução governativa que resultará das eleições de 10 de Março. Teremos uma campanha eleitoral feita de ataques e com muito poucas apresentações de soluções para os grandes problemas do país, como são a saúde, o ensino, a habitação e a justiça. De ambos os lados vemos grande incapacidade de se tomarem decisões difíceis e, ainda pior, não serem capazes de gerar consensos e pactos de regime. São demonstrativos o que se passa com a localização do novo aeroporto de Lisboa e na adjudicação da obra para a linha de comboio de alta velocidade. Sempre o interesse partidário acima do nacional e sempre com receio de poder contrariar grandes grupos de interesses económicos. Teremos certamente ciclos governativos muito curtos, de grande instabilidade.

António Barbosa, Porto

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