Passei oito anos de vida fascinado com a habilidade política de António Costa e oito anos frustrado por essa habilidade ser totalmente desperdiçada em termos de reformas e desenvolvimento do país. Costa alcançou três feitos impressionantes. 1) Transformou a enorme derrota eleitoral de 2015 numa vitória pessoal, tornando-se um improvável primeiro-ministro com o apoio do Bloco e do PCP. 2) Manteve o Governo da “geringonça” estável durante quatro anos, oferecendo com a mão esquerda (reversões, descongelamentos) o que tirava com a mão direita (cativações, impostos indirectos), perante o silêncio cúmplice dos seus parceiros. 3) No decorrer desses oito anos, Costa deu um abraço de urso aos dois partidos que salvaram a sua carreira política, tornando o PCP, mas sobretudo o Bloco, pouco mais do que irrelevantes. É obra.

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