Será a 68.ª vez que os países participantes do Festival Eurovisão da Canção vão subir a palco, este ano na cidade de Malmo, na Suécia. No entanto, a presença de Israel no concurso de 2024 está a ser contestada. Mais de 1400 profissionais do ramo musical da Finlândia assinaram uma petição que pede que o país seja banido da competição. Em causa estão alegados crimes de guerra cometidos pelas forças militares israelitas desde o escalar do conflito na Faixa de Gaza.

“Israel viola os direitos humanos e não achamos correcto que utilize o concurso para polir a sua imagem”, disse o autor da petição, Lukas Korpelainen, a um jornal de Helsínquia, a capital finlandesa.

Os signatários aludem ao que aconteceu na edição de 2022, quando os países participantes pediram à União Europeia de Radiodifusão (UER), a entidade responsável pelo concurso, que proibisse a participação da Rússia no festival. Defendem que, atendendo a esse precedente, a emissora finlandesa, a Yle, deve pressionar e UER para que se posicione contra a participação israelita; caso contrário, sugerem que seja a própria Finlândia a retirar-se.

Enquanto a Yle diz estar a avaliar a situação com a emissora europeia, os assinantes acusam a emissora pública da Finlândia de dualidade de critérios, tendo em conta a posição que apresentou em situações passadas. Em Fevereiro de 2022, a Yle emitiu um comunicado oficial em que ameaçava retirar-se do concurso se a Rússia não fosse excluída. “O ataque da Rússia à Ucrânia é contrário a todos os valores que a Yle e outras emissoras europeias representam”, lia-se no documento então divulgado.

Se os assinantes da petição esperam agora “a mesma defesa activa dos valores da Yle”, como pretende o autor do documento, o responsável pela emissora finlandesa, Ville Vilén, argumenta que a situação em Israel e em Gaza e a invasão da Ucrânia não são “exactamente a mesma” coisa, informa a BBC.

Esta não é a primeira posição de descontentamento face à participação de Israel a emergir entre os países que integram a competição. Já em 2018, ano em que o país saiu vencedor, vários artistas internacionais apelaram ao boicote à realização do festival em Telavive no ano seguinte, aludindo ao tratamento dos palestinianos por parte das autoridades israelitas. Em Dezembro último, e perante as consequências da intervenção em curso em Gaza, foi a Associação de Compositores e Letristas da Islândia a anunciar que se opõe à participação do seu país na edição de 2024, caso Israel não seja desqualificado. A UER veio nesse mesmo mês lembrar que os destinatários do concurso são “emissoras, não governos”, e que Israel participa no festival há 50 anos.

Entre os signatários da petição agora lançada constam os nomes de Olavi Uusivirta, Paleface e Axel Ehnström, representantes da Finlândia na Eurovisão em 2011. Também a cara que vai representar este ano o Reino Unido, Olly Alexander, assinou em Outubro uma carta aberta que condenava Israel pela ofensiva em Gaza. O documento, uma iniciativa da Voices4London, classifica Israel como um “regime de apartheid”.

O director de comunicação da emissora pública da Finlândia disse estar a acompanhar o desenrolar da situação e a dialogar com a UER, juntamente com outras emissoras públicas, adiantam os meios de comunicação finlandeses. A Yle pretende ainda encontrar-se com os autores da petição.

Texto editado por Inês Nadais

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